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Chapter 7 - CAPÍTULO 5 — A LINHA QUE NÃO DEVE SER CRUZADA

 CAPÍTULO 5 — A LINHA QUE NÃO DEVE SER CRUZADA

Aos três anos, meu corpo já obedecia melhor.

Ainda frágil.

Ainda pequeno.

Mas funcional.

Eu já corria sem cair. Já subia degraus baixos. Já conseguia segurar objetos com firmeza suficiente para não deixá-los escapar.

Era o limite aceitável.

Mais do que isso… chamaria atenção.

Mas havia algo que eu vinha evitando desde o primeiro dia.

A mana.

Não a sensação dela — isso eu sentia o tempo todo.

Mas o ato consciente de tocá-la.

Na vida passada, o erro não foi buscar poder.

Foi ignorar o preço.

E ainda assim… eu precisava saber.

Não quanto eu podia usar.

Mas quanto eu não podia.

Esperei a noite.

O orfanato dormia.

Respirações pequenas preenchiam o quarto coletivo.

Sentei no chão, costas apoiadas na parede fria.

Pés cruzados.

Respiração lenta.

Uma técnica simples. Antiga. Sem nome.

Não puxei mana.

Eu abri espaço.

A mana reagiu imediatamente.

Não com violência.

Mas com curiosidade.

Ela se aproximou do meu corpo como névoa obediente.

"Devagar…", pensei.

Guiei um fio mínimo — quase inexistente — até o centro do meu peito.

No instante em que tocou…

💥

Meu corpo entrou em pânico.

O coração disparou fora de ritmo.

O ar sumiu dos pulmões.

Uma dor branca atravessou meu crânio.

Minha visão escureceu nas bordas.

— Gkh…!

Caí para frente.

A mana, antes suave, tornou-se pesada. Não agressiva — incompatível.

Era como tentar forçar água por veias que não existiam.

Sangue escorreu do meu nariz.

Pouco.

Mas real.

"O mundo… está rejeitando…", pensei, lutando para não perder a consciência.

Meu corpo tremia violentamente.

Não era febre comum.

Era recusa.

Instintivamente, cortei tudo.

Fechei o espaço.

Expulsei a mana.

Ela se dispersou no mesmo instante, como se nunca tivesse estado ali.

Mas o dano já estava feito.

Minha visão voltou em flashes.

O coração doía.

Cada batida parecia errada.

Eu me arrastei até a cama e me encolhi, tentando parecer apenas mais uma criança doente.

Passos apressados.

Uma cuidadora entrou, alarmada.

— O que aconteceu?!

Ela me pegou no colo.

— Está ardendo…

Febre.

Alta.

Meu corpo inteiro queimava como se estivesse sendo punido por ousar demais.

Enquanto ela me levava às pressas, ouvi outra dizer:

— Ele estava bem hoje…

— Essas crianças… às vezes nascem fracas.

Fracas…

Se soubessem.

Passei três dias entre o sono e o delírio.

Não sonhei com o trono.

Sonhei com limites.

Vi meu corpo rachando se eu avançasse cedo demais.

Vi caminhos se fechando.

E vi algo pior.

Se eu repetisse o erro da outra vida…

não haveria segunda chance desta vez.

Quando acordei, a febre havia cessado.

Meu corpo estava fraco.

Mais do que antes.

Mas algo havia mudado.

Eu entendia.

Não em teoria.

Em carne.

A mana não era inimiga.

Mas também não era indulgente.

Este mundo exigia preparo antes de permissão.

Toquei o colar com dedos trêmulos.

Ele estava frio.

Inerte.

"Você não me impediu…", pensei.

"Mas também não me salvou."

Talvez essa fosse a regra.

Avisos existem.

Salvação, não.

Fechei os olhos.

E fiz uma promessa que não diria em voz alta:

"Nunca mais vou tocar na mana…

até que meu corpo peça por ela."

O mundo ficou em silêncio.

Mas, dessa vez, não foi um silêncio de espera.

Foi um silêncio de aprovação contida.

Se quiser, no próximo passo posso:

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