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Chapter 13 - CAPÍTULO 11 — O QUE NÃO DEVERIA SER POSSÍVEL

 CAPÍTULO 11 — O QUE NÃO DEVERIA SER POSSÍVEL

Os meses passaram sem que eu percebesse quando começaram.

Na instalação, o tempo não era marcado por dias —

mas por testes.

Eles começaram simples.

Blocos de formas.

Problemas de lógica disfarçados de jogos.

Perguntas feitas como brincadeiras.

— Qual peça falta aqui?

— O que acontece se trocarmos isso por aquilo?

— Por que essa torre cai e essa não?

Eu errava.

De propósito.

O suficiente para parecer inteligente.

Nunca o suficiente para parecer impossível.

Elias estava sempre presente.

Nunca anotando à minha frente.

Nunca reagindo no momento.

Mas observando.

— Você aprende rápido — disse ele certa vez, enquanto recolhia peças do chão.

— Eu gosto de puzzles — respondi.

— Não. Você prevê — corrigiu. — Isso é diferente.

Silêncio.

Nossa relação se construiu assim.

Sem afeto excessivo.

Sem crueldade.

Ele não me tratava como arma.

Nem como criança comum.

Ele me tratava como variável.

E isso era raro.

Com o tempo, os testes mudaram.

Não mais objetos.

Corpo.

— Caminhe até aquela marca — disse Elias.

Eu caminhei.

— Pare.

Parei.

— Feche os olhos.

Obedeci.

Senti.

Não mana direta.

Mas pressão ambiental.

Runas na sala reagiram.

O ar ficou mais pesado em um ponto específico.

— O que você sente? — ele perguntou.

"Uma armadilha mal calibrada", pensei.

— Está… estranho — respondi.

Ele anotou.

— Interessante.

Os testes se repetiram.

Sempre dentro de limites seguros.

Sempre sem ativar completamente a mana.

Mas então… algo falhou.

Não de forma dramática.

Não com alarmes.

Foi quase elegante demais para ser um erro.

Durante um teste de concentração — apenas respiração controlada, nada mais — senti algo que não sentia desde o orfanato.

A mana… não desviou.

Ela se aproximou.

Instintivamente, abri os olhos.

As runas nas paredes estavam estáticas.

Nenhuma reação.

O colar permaneceu frio.

"O campo falhou…", pensei.

Não totalmente.

Mas o suficiente.

Um fio de mana tocou minha pele.

Não doeu.

Não queimou.

Ele apenas… se encaixou.

Meu corpo reagiu.

O coração acelerou — mas não entrou em caos.

A respiração ajustou sozinha.

Pela primeira vez… não houve rejeição.

Elias percebeu.

— Pare — disse imediatamente.

Eu obedeci.

A mana se dispersou.

O silêncio na sala ficou pesado demais.

Elias me encarou.

Não com medo.

Com algo pior.

Com confirmação.

— Isso não deveria ter acontecido — murmurou.

— O quê? — perguntei, com voz infantil perfeita.

Ele respirou fundo.

— As runas não falharam. Elas… permitiram.

Ele se ajoelhou à minha frente.

— Você sentiu alguma dor?

Balancei a cabeça negativamente.

— Alguma pressão?

— Não.

Ele fechou os olhos por um instante.

Quando abriu… havia decisão ali.

— A instalação não foi feita para crescer junto com você — disse em voz baixa. — Foi feita para conter um estado fixo.

Silêncio.

— E você… não é fixo.

Ele se levantou.

— A partir de agora, alguns testes serão suspensos.

— Por quê? — perguntei.

Ele me encarou.

— Porque o reino ainda acha que está observando.

Mas não percebeu…

Ele parou na porta.

— …que você começou a interagir com o sistema.

A porta se fechou.

Fiquei sozinho.

Sentei no chão.

Meu corpo estava calmo.

Estável.

"Então é isso…", pensei.

Não era que a contenção estivesse fraca.

Era que eu estava finalmente me tornando compatível.

E quando isso acontecesse por completo…

O reino teria um problema.

Não hoje.

Não amanhã.

Mas inevitavelmente.

Fechei os olhos.

E, pela primeira vez desde que renasci…

Sorri.

Não de alegria.

Mas de certeza.

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