CAPÍTULO 3 — O MUNDO NÃO É SILENCIOSO
O choro cessou.
Não porque alguém o consolou —
mas porque o bebê aprendeu algo rápido demais:
Chorar não muda o mundo.
Deitado no berço simples do orfanato, observei o teto rachado acima de mim. A madeira era velha. O cheiro era de poeira, leite aguado e abandonado.
Era um ambiente… honesto.
Na minha vida passada, tudo era falso. Luxo, reverência, medo. Aqui, não. Aqui ninguém fingia se importar.
E isso era melhor.
Meu corpo era fraco. Ridiculamente fraco.
Cada movimento oferece esforço. Cada respiração parecia curta.
Mas minha mente… estava intacta.
Eu senti.
Não o QI.
Ainda não.
Mas algo parecido.
Uma energia difusa no ar, muito mais suave do que a violência do QI absoluto. Fluía lentamente, como um rio lento. Não rasgue o corpo. Não grite.
Mana.
"Então este mundo usa outro nome…", pensei.
Tentei tocá-la.
No instante seguinte, uma dor aguda atravessou meu peito.
Meu corpo se contraiu.
O ar fugiu dos pulmões.
Meu coração disparou como se estivesse disparado a parar.
— Kuh…!
Se eu tivesse um corpo adulto, teria sido apenas um aviso.
Mas em um bebê… foi quase fatal.
Instintivamente, recuei.
A mana se dispersou, obediente, como se nunca tivesse sido chamada.
Meu corpo tremia.
"Entendi…", pensei, sentindo o suor frio escorrer pela testa pequena.
"Nem este mundo permite excessos."
Fechei os olhos.
Respirei.
Controle.
Essa palavra salvou minha vida uma vez.
E pisaria nela novamente.
Nos dias que se seguiram, eu apenas observei.
As cuidadoras não eram cruéis. Eram cansadas.
Alimentavam, limpavam, seguiam rotinas.
Nenhuma se apegava.
Crianças aqui eram números temporários. Alguns procedimentos necessários. Outras… simplesmente desapareceriam.
Aprendi rápido a não chamar atenção.
Quando um bebê chorava demais, era ignorado.
Quando ficava quieto, sobrevivia melhor.
Então eu fiquei quieto.
Enquanto meu corpo crescia lentamente, minha mente treinava.
Eu não puxava mana.
Eu senti.
Como o vento passa pela pele.
Como uma voz distante.
Aos poucos, percebi algo estranho.
Meu corpo… era diferente.
Mesmo sem mão ativa, meus músculos se fortaleceram rápido demais. Meus ossos doíam durante a noite, como se fossem se moldando.
"Este corpo…", pensei.
"É mais resistente do que o anterior."
Não perfeito.
Não imortal.
Mas preparado.
Isso me assustou mais do que me tranquilizou.
Porque eu tinha que, desta vez, o mundo esperava algo de mim.
Certa noite, enquanto o orfanato dormia, senti algo novo.
Uma pressão.
Não vinha de dentro.
Vinha… de mim.
Não era mana.
Não era QI.
Era.
Como se o espaço ao meu redor estivesse… atento.
No mesmo instante, o colar em meu pescoço aqueceu levemente.
Não queimou.
Não brilhou.
Apenas respondeu.
Seguro com os dedos pequenos.
"Você… também lembra?", pensei.
O colar fica em silêncio.
Mas eu tive certeza de algo.
Este mundo não era um refúgio.
Era um tabuleiro.
E eu havia sido colocado nele novamente — não como imperador, não como rei...
mas como uma peça frágil demais para errar.
Abrir os olhos no escuro.
E fiz um juramento silencioso.
"Nesta vida…
eu não vou forçar o mundo a me obedecer."
Uma pausa.
"Você aprenderá a existir dentro dele."
O mundo, do lado de fora, silenciosamente.
Mas eu sabia.
Ele estava apenas esperando.
