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Chapter 14 - CAPÍTULO 12 — O ERRO QUE NÃO FOI ACIDENTE

CAPÍTULO 12 — O ERRO QUE NÃO FOI ACIDENTE

O teletransporte não fazia parte da rotina.

Por isso, quando Elias entrou na sala naquela noite, eu soube.

Seu rosto estava controlado demais.

A voz, neutra demais.

— Matheus — disse ele. — Hoje haverá um deslocamento curto.

"Mentira parcial", pensei.

— Para onde? — perguntei.

— Para uma ala superior da instalação.

Superior.

A palavra era tecnicamente correta.

Mas incompleta.

Fui conduzido por corredores que nunca havia visto. As runas nas paredes eram diferentes. Mais densas. Mais… definitivas.

Runas de aniquilação preventiva.

Meu coração desacelerou.

Não por medo.

Por foco.

Chegamos a uma sala circular.

No centro, um círculo de teletransporte.

Instável.

Antigo.

Improvisado.

Elias parou antes de entrar.

— O reino decidiu acelerar o processo — disse ele.

— Que processo? — perguntei.

Ele não respondeu.

A resposta estava no chão.

O círculo não era de transporte comum.

Era de desintegração por falha dimensional.

Um "acidente" perfeito.

— Elias… — murmurei.

Ele fechou os olhos.

— Se eu pudesse mudar isso… — disse em voz baixa.

Isso foi o suficiente.

Eles não estavam me transferindo.

Estavam apagando o erro.

No instante em que os magos ativaram o círculo, o colar reagiu violentamente.

Não bloqueando.

Gritando.

O ar se rasgou.

A mana enlouqueceu.

O círculo entrou em colapso antes de estabilizar.

— PAREM! — alguém gritou.

Tarde demais.

O espaço se dobrou.

O chão desapareceu sob meus pés.

Dor.

Não física.

Existencial.

Meu corpo foi puxado em direções incompatíveis. O coração falhou um batimento. Meus ossos gritaram.

"Não… assim não…", pensei.

Forcei.

Não mana.

Vontade.

Usei o corpo.

Usei o colar.

Usei tudo que ainda não era poder — apenas instinto de sobrevivência.

Rolei para fora do círculo no último instante.

Alarmes soaram.

Runas de contenção se ativaram.

A instalação respondeu como foi feita para responder:

Com força letal.

Lanças de energia cruzaram o ar.

Paredes se fecharam.

— ELIMINAÇÃO AUTORIZADA — ecoou uma voz sem emoção.

Corri.

Não como criança.

Como algo que já fugiu da morte antes.

Um golpe passou a centímetros da minha cabeça.

O corredor à frente… não existia mais.

O espaço estava quebrado.

O círculo de teletransporte havia colapsado em algo pior.

Um rasgo.

Instável. Violento.

Não levava a um ponto conhecido.

Levava a qualquer lugar.

E eu senti.

Do outro lado… algo diferente.

Pesado.

Hostil.

Antigo.

"Continente Demoníaco…", pensei, sem saber como sabia.

Não havia escolha.

Atrás de mim, morte certa.

À frente… morte provável.

Escolhi o desconhecido.

Saltei.

No instante em que atravessei o rasgo, ouvi Elias gritar meu nome.

Depois… nada.

O mundo se partiu.

Caí.

Não em chão.

Em calor.

O ar queimava os pulmões. O céu era vermelho escuro. A mana era densa, agressiva, quase viva.

Rolei por pedras negras até parar.

Meu corpo não se mexia.

O colar estava rachado.

Não quebrado.

Rachado.

Ao longe, senti presenças.

Não humanas.

Não curiosas.

Famintas.

Perdi a consciência com um último pensamento:

"Então foi assim que o mundo tentou me apagar…"

Escuridão.

Mas desta vez…

Quando abri os olhos…

Eu não estava mais no tabuleiro do reino.

Eu estava no território do erro absoluto.

O Continente Demoníaco.

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