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Chapter 18 - CAPÍTULO 12.4 — O SILÊNCIO DO SOL

CAPÍTULO 12.4 — O SILÊNCIO DO SOL

O quarto imperial permanecia fechado.

Cortinas grossas bloqueavam a luz. Não por necessidade — mas por escolha.

A Imperatriz Seraphina Aurelion estava sentada à beira da cama, mãos trêmulas sobre o colo. Seu corpo era mantido por remédios, bênçãos fracas e rotina vazia.

Ela não dormia bem desde aquela noite.

— Ele chorou? — perguntou de repente, sem olhar para ninguém.

O silêncio respondeu.

O Imperador Aurelius IX estava em pé, próximo à janela fechada. A postura ainda era ereta. O rosto… não.

— Disseram que não — respondeu, após alguns segundos.

Seraphina fechou os olhos.

— Mentira — sussurrou.

A palavra não acusava. Apenas existia.

O Imperador não respondeu.

Durante anos, eles haviam governado juntos. Guerras. Tratados. Fomes. Glórias.

Mas nada os preparou para o peso de escolher o destino do próprio filho.

— Você assinou o decreto — ela disse, ainda de olhos fechados.

— Eu protegi o Império — respondeu ele.

A voz falhou no final.

Seraphina riu baixinho. Um som seco.

— Sempre o Império.

Ela levou a mão ao peito, sentindo a dor conhecida.

— Você sabe o que me mata, Aurelius?

Ele não se moveu.

— Não foi perdê-lo… — ela continuou. — Foi não poder chamá-lo pelo nome.

O Imperador fechou os olhos pela primeira vez naquela conversa.

O nome ecoou em sua mente.

Aurelian.

Jamais pronunciado em voz alta.

— Se ele tivesse ficado… — ele começou.

— Ele teria vivido — ela cortou. — Talvez não como imperador. Mas como criança.

Silêncio.

A chama de uma vela tremulou sem vento.

— Eu sonhei com ele — disse Seraphina. — Ele estava longe. Em um lugar vermelho. Ele me olhava… sem ódio.

Ela abriu os olhos e finalmente encarou o marido.

— Isso é pior do que se ele me odiasse.

Aurelius se ajoelhou.

Não como Imperador.

Como pai.

— Eu não sabia o que mais fazer — disse, a voz quebrada. — As profecias… o Senado… o mundo…

— O mundo sempre sobrevive — ela respondeu. — Filhos, não.

Ela estendeu a mão.

Ele a segurou.

Por um instante, não havia Império.

Apenas dois pais que falharam.

Do lado de fora, os sinos do palácio tocaram o pôr do sol.

O Sol se escondia atrás das torres douradas de Aurelion.

E, pela primeira vez desde a fundação do Império…

A luz não parecia suficiente.

Se quiser, o próximo passo ideal é:

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