CAPÍTULO 12.3 — O NOME QUE NÃO DEVERIA EXISTIR PRÓLOGO
Nos arquivos mais profundos do Império de Aurelion, existe um cofre que não aparece em mapas.
Não guarda ouro.
Não guarda armas.
Guarda nomes.
Nomes que foram apagados da história.
No ano 947 do Calendário Solar, um decreto foi selado com sangue imperial e magia de silêncio absoluto.
REGISTRO DE NASCIMENTO — CLASSIFICAÇÃO: ANULADO
Pai: Imperador Aurelius IX de Aurelion
Mãe: Imperatriz Seraphina Aurelion
Data: selada
Destino: selado
O campo mais importante foi riscado três vezes.
Depois, reescrito apenas uma vez.
Não em tinta comum.
Mas em juramento arcano.
NOME ORIGINAL DO HERDEIRO IMPERIAL
Aurelian Solis Aurelion
O nome do Sol.
O nome do Império.
O nome que jamais deveria caminhar fora do trono.
As profecias foram claras demais para serem ignoradas:
"Aurelian não governará sob o Sol.
Onde ele pisar, o Império perderá sua sombra."
O Senado Arcano decidiu.
O Imperador consentiu.
O nome foi apagado.
Não renomeado.
Removido da realidade administrativa do mundo.
A criança não morreu.
O nome, sim.
O ATO FINAL
O colar imperial foi selado ao pescoço do bebê.
Não como símbolo de herança.
Mas como cadeado de identidade.
Enquanto o colar existisse:
O nome verdadeiro não poderia ser pronunciado
A linhagem não poderia ser rastreada
O mundo reconheceria apenas… vazio
Um escriba chorou ao registrar a última linha.
"Aurelian Solis Aurelion deixa de existir para o mundo."
E abaixo, em caligrafia apressada, fora do registro oficial:
"Que o Sol nos perdoe."
EPÍLOGO SILENCIOSO
Muito longe do palácio, em um orfanato sem importância…
Uma cuidadora leu um papel amassado.
Nome: Matheus
Ela escreveu esse nome no livro.
E o mundo aceitou.
Mas nomes verdadeiros não desaparecem.
Eles esperam.
E quando o colar finalmente rachar por completo…
quando o Sol deixar de obedecer ao Império…
O mundo voltará a ouvir um nome
que nunca deveria ser lembrado.
Aurelian Solis Aurelion.
