Cherreads

Chapter 3 - CAPÍTULO 1.2 — O SILÊNCIO QUE OBSERVA

 CAPÍTULO 1.2 — O SILÊNCIO QUE OBSERVA

O choro cessou.

Não porque alguém o tivesse acolhido com carinho,

mas porque o corpo frágil simplesmente se cansou.

Enrolado em panos ásperos, Matheus encarava o teto rachado do orfanato. Seus olhos, ainda turvos de um recém-nascido, não viam formas com clareza — mas sua mente estava desperta .

Totalmente desperta.

— Então… eu realmente renasci.

Não havia dor.

Não havia poder.

Não havia QI fluindo como antes.

Apenas um vazio estranho… e silencioso.

Na vida passada, o silêncio teria morte iminente.

Aqui, eu teria abandonado.

Passos ecoaram pelo corredor. Uma mulher cansada entrou no quarto, atendida rapidamente para os berços alinhados e suspirou. Seus olhos passaram por Matheus sem qualquer mudança de expressão.

Ele não chorou.

Não implorou.

Apenas.

— Interessante…

— Este corpo é fraco. Ridiculamente fraco.

Mesmo assim, algo estava diferente.

Seu coração batia de forma estável.

Seus ossos, apesar de pequenos, não quebradiços.

Havia uma sensação estranha , quase imperceptível… como se o mundo ao redor respirasse.

— Mana…?

Não.

Não exatamente.

Era algo mais disperso. Menos violento que o QI. Mais suave.

Mas real.

Matheus tentou reagir por instinto — um reflexo antigo.

No mesmo instante, uma dor atravessou seu corpo.

Seu campo de visão tremeu.

O ar sumiu dos pulmões.

— Entendo…

— Há limites.

Ele imediatamente.

Na vida passada, ignorar limites o levou ao topo…

e depois, à morte.

Desta vez, ele não cometeria o mesmo erro.

Os dias criaram a passar.

Matheus não falava.

Não chorava sem necessidade.

Não se debata como as outras crianças.

Isso chamou atenção.

— "Esse bebê é… quieto demais."

— "Será que você está doente?"

As cuidadoras ou observavam com desconfiança, mas nenhum diagnóstico vinha. Ele comia, dormia e crescia dentro do esperado.

Por fora, uma criança comum.

Por dentro… um imperador em silêncio.

À noite, enquanto o orfanato mergulhava na escuridão, Matheus treinava da única forma possível: pensando .

Relembrava cada erro da vida passada.

Cada excesso.

Cada decisão tomada sozinha no topo do mundo.

— Não posso usar poder.

— Então vou usar o tempo.

Seu corpo crescia lentamente.

E sua mente… nunca parou.

Em certos momentos, o colar preso ao seu pescoço parece levemente quente. Não brilhava. Não há reação de forma visível.

Mas estava ali.

Observando.

Assim como ele.

No berço, cercado por crianças que dormiam sem sonhos, Matheus fechou os olhos.

— Nesta vida…

— eu não vou conquistar o mundo.

O vento entrou pela janela quebrada, fazendo as velas tremularem.

— Vou aprender a sobreviver nele.

E, pela primeira vez desde sua morte…

o antigo imperador dormiu sem sentir dor.

More Chapters