O trem real que levava o Time Master X para a capital Brasíbis era incomparavelmente mais luxuoso que o trem militar sujo que os havia levado para Campanus meses atrás. Assentos de veludo carmesim, janelas de vidro cristalino sem manchas, e um vagão privado inteiro reservado para a delegação da Guilda. Mas Leo Veyndril mal notava o luxo. Ele estava olhando pela janela, vendo a paisagem mudar de colinas arborizadas para planícies cultivadas e finalmente para a aproximação da maior cidade que ele jamais veria.
Um mês. Havia se passado exatamente um mês desde a humilhação de UniCampos.
Seu ombro ainda doía ocasionalmente onde o Orc havia atingido em Campanus, e ele tinha uma nova cicatriz fina no antebraço de um dos treinamentos brutais que Ainar havia imposto após o fracasso contra os Homúnculos. Mas a dor física era nada comparada ao que aquele mês havia forjado nele.
Leo fechou os olhos e deixou a memória voltar.
O dia seguinte ao retorno de UniCampos havia sido o pior. A Guilda inteira sabia que a equipe de Lyris Nereval havia falhado. Olhares de pena, sussurros nos corredores, a sensação sufocante de ter decepcionado não apenas seu Mestre, mas toda a Master X.
Ainar não havia gritado. Não havia punido. Ele simplesmente havia aparecido no quarto de recuperação onde Leo, Luna e Bob estavam sendo tratados por curandeiros, havia olhado para os três com aqueles olhos cinza-claros vazios de emoção, e havia dito apenas cinco palavras:
"Sala de treinamento. Uma hora. Preparem-se."
E então havia começado o inferno.
Ainar não os treinou como um instrutor normal treinaria alunos que haviam falhado. Ele os treinou como um cientista louco conduziria experimentos para quebrar e reconstruir espécimes que haviam demonstrado falha estrutural fundamental.
Dezesseis horas por dia. Sete dias por semana. Sem folgas. Sem piedade.
Luna havia sido forçada a manter sua Magia das Trevas ativa continuamente por períodos cada vez mais longos até que ela desmaiava de exaustão de mana. Então Ainar a acordava com água fria e ordenava que começasse novamente. "Sua magia é anulação e controle de terreno, mas você é preguiçosa," ele havia dito com aquela voz melódica mas cortante. "Você anula o que vê. Eu quero que anule o que imagina."
Bob havia sido submetido a combates simulados contra três oponentes elementais simultaneamente, forçado a integrar Vento, Água e Raio não como três magias separadas mas como um único fluxo contínuo. Ainar havia criado golems de mana pura que atacavam de três direções diferentes, cada um vulnerável a apenas um elemento específico, forçando Bob a mudar entre os três em frações de segundo. "Você é lento porque pensa em três magias," Ainar havia rugido quando Bob falhou pela décima vez. "PARE DE PENSAR! Seja o elemento!"
E Leo... Leo havia sido quebrado e reconstruído de formas que ele ainda não compreendia completamente.
Ainar havia se tornado obcecado com algo que ele chamava de "expansão do potencial latente". Ele forçava Leo a ativar sua Previsão Ativa por horas, até que a dor de cabeça era tão intensa que Leo vomitava sangue. "Sua mente está acessando algo maior que você mesmo," Ainar havia explicado enquanto Leo estava no chão, tremendo. "Eu quero saber o limite. E para descobrir o limite, precisamos quebrá-lo repetidamente."
Foi durante uma dessas sessões de tortura mental, duas semanas após UniCampos, que aconteceu.
Leo estava em um estado de exaustão tão profundo que mal conseguia distinguir realidade de alucinação. Ainar estava forçando-o a prever os movimentos de cinco golems simultaneamente enquanto Luna e Bob atacavam de ângulos aleatórios. Era impossível. Cognitivamente impossível para um cérebro humano processar.
E então algo dentro de Leo... cedeu. Não quebrou, mas cedeu, como uma porta trancada finalmente se abrindo.
Um sexto sentido se manifestou. Não era Previsão como ele conhecia. Era algo diferente. Ele podia sentir... conexões. Linhas invisíveis ligando ele a Luna e Bob. Linhas ligando os três a Ainar. Linhas ligando todos eles à própria estrutura da realidade ao redor.
E com esse sentido veio conhecimento instintivo de um novo Arcano. Ele não tinha nome que Leo conhecesse. Era apenas... o Quinto. O Papa.
"Pare," Ainar havia ordenado imediatamente, e havia excitação genuína em sua voz pela primeira vez em semanas. "O que você sentiu? Descreva exatamente."
"Conexões," Leo havia ofegado. "Eu senti conexões entre tudo. Como se... como se pudesse ver as linhas que ligam causa e efeito, não apenas no futuro, mas no presente."
Ainar havia sorrido aquele sorriso de predador que havia descoberto presa particularmente interessante.
"O Hierofante. Você desbloqueou o Arcano da Tradição e Conexão Espiritual. Fascinante. Não sei o que isso faz ainda, mas vamos descobrir."
Eles não descobriram. Mesmo após duas semanas de testes, o Hierofante permanecia misterioso. Leo podia senti-lo ali, uma presença constante no fundo de sua mente, mas não conseguia manifestá-lo conscientemente como fazia com os outros Arcanos.
O segundo despertar havia acontecido durante uma missão real.
Ainar havia enviado o Time Master X para lidar com uma infestação de Aracnídeos Gigantes em uma mina abandonada. Rank C, tecnicamente fácil para seu nível atual. Mas as aranhas eram venenosas, e uma delas havia conseguido cravar suas presas no braço de Leo.
O veneno era mágico, projetado para paralisar mana além de músculos. Leo havia sentido sua magia começando a travar, sua conexão com Caramelo ficando nebulosa.
E então, puro instinto de sobrevivência, algo havia respondido.
Um sexto Arcano se manifestou como escudo. O veneno foi... não neutralizado, mas resistido. Sua magia não travou completamente. Ele conseguiu convocar Caramelo o suficiente para Leo e o familiar juntos destruírem a aranha antes que o veneno o matasse.
Depois, já curado, Ainar havia diagnosticado.
"Os Enamorados. O Arcano da Escolha e União. Mas você o manifestou como resistência mágica elevada." Ainar havia pausado, pensativo. "Interessante. Cada pessoa manifesta os Arcanos de forma ligeiramente diferente baseada em necessidade e personalidade. Seu instinto de sobrevivência transformou União em Proteção."
E Leo havia descoberto que agora possuía uma resistência natural contra magias direcionadas a ele. Não tornava-o imune, mas reduzia significativamente o impacto. Venenos mágicos eram menos eficazes. Controle mental era mais difícil de estabelecer. Era uma defesa passiva mas valiosa.
Luna também havia evoluído dramaticamente durante aquele mês infernal.
A descoberta dela havia vindo por acidente durante um treinamento onde Ainar a forçou a manter cinco zonas de anulação simultâneas. Ela estava tão exausta, sua concentração tão fina, que em vez de dispersar a sombra como normalmente fazia, ela havia inconscientemente começado a comprimir.
As sombras se condensaram. Se solidificaram. Por uma fração de segundo, Luna havia criado uma mão de escuridão sólida que havia agarrado um dos golems de treinamento.
Ainar havia parado tudo imediatamente.
"Novamente. Faça novamente."
Levou três dias de prática exaustiva, mas Luna desenvolveu a habilidade completamente. Ela podia agora condensar suas sombras em formas semi-sólidas. Não eram permanentes, duravam apenas segundos antes de se dispersar, e exigiam concentração intensa. Mas eram tangíveis. Reais.
Um cachorro de sombra que podia morder. Uma mão que podia agarrar. Tentáculos que podiam açoitar. Qualquer forma que ela conseguisse visualizar claramente, ela podia manifestar por breves momentos.
"Isso muda completamente seu perfil tático," Ainar havia declarado com satisfação. "Você não é mais apenas controle de terreno e anulação. Você é combate ativo através de construtos."
Bob não havia desenvolvido habilidade completamente nova, mas havia aperfeiçoado sua integração Tri-Elemental a um nível que beirava o artístico. O Rompante que antes levava três segundos para carregar agora era instantâneo. Ele podia mudar entre Vento, Água e Raio tão fluidamente que parecia um único elemento fluido mudando de estado.
E mais importante, ele havia desenvolvido algo que Ainar chamou de "Leitura Elemental Avançada". Bob agora podia sentir padrões de mana elemental no ambiente ao seu redor com precisão suficiente para detectar emboscadas, armadilhas mágicas e até mesmo mentiras através de mudanças sutis no calor corporal e umidade do ar de outras pessoas.
O Time Master X que estava viajando para Brasíbis agora era fundamentalmente diferente do trio que havia falhado em UniCampos.
O trem começou a desacelerar, e Leo abriu os olhos.
E viu Brasíbis pela primeira vez.
A capital do Reino era... impossível. Não havia outra palavra. Era grande demais para ser real, bela demais para ser funcional, e organizada demais para ter crescido organicamente.
A cidade se estendia por quilômetros em todas as direções ao redor de uma baía protegida, construída em níveis concêntricos como um gigantesco anfiteatro voltado para o mar. O nível mais baixo era o Porto Comercial, onde centenas de navios de todos os tamanhos enchiam docas que pareciam se estender infinitamente. O segundo nível era o Distrito Mercante, prédios de três e quatro andares em pedra branca e madeira escura formando ruas organizadas em padrão de grade matemática. O terceiro nível era o Distrito Nobre, mansões e jardins privados protegidos por muros ornamentados.
E dominando tudo, no topo da colina central, estava o Castelo Real.
Não era uma fortaleza militar brutal como os castelos das cidades de fronteira. Era uma declaração de poder e beleza. Torres que subiam trinta, quarenta metros, coroadas com telhados de ardósia azul que brilhavam sob o sol. Muralhas de mármore branco gravadas com runas de proteção que brilhavam suavemente mesmo à luz do dia. Jardins suspensos que pareciam impossíveis estruturalmente. E no centro, a Torre da Coroa, que subia ainda mais alto, uma agulha de pedra e cristal que podia ser vista de qualquer ponto da cidade.
"Impressionante?" Ainar perguntou, e havia diversão em sua voz. Ele estava sentado confortavelmente, lendo um livro, completamente indiferente à vista.
"É... enorme," Bob murmurou, colado à janela.
"Dois milhões de habitantes," Ainar informou casualmente. "Maior concentração de riqueza, poder e corrupção no Continente. A cidade foi planejada por arquitetos élficos há quatrocentos anos, então toda essa simetria irritante é deliberada."
Luna estava estudando não a beleza, mas as defesas. "As runas nas muralhas externas. São barreiras anti-teletransporte?"
"Entre outras coisas," Ainar confirmou. "Brasíbis é protegida por camadas de magia defensiva que tornaram impossível atacá-la magicamente. Tentativas de portal direto são bloqueadas. Ataques elementais em larga escala são dissipados. A única forma de tomar Brasíbis é através de cerco convencional ou traição interna."
"Traição interna acontece frequentemente?" Leo perguntou.
Ainar sorriu sem alegria. "Constantemente. Política da capital é guerra por outros meios. Mais sangue é derramado em salões de baile através de veneno e faca escondida do que em campos de batalha abertos. É por isso que eu odeio vir aqui."
O trem finalmente parou na Estação Real, um prédio de mármore e ferro que conseguia ser simultaneamente grandioso e funcional. Guardas Reais em armadura cerimonial azul e prata estavam posicionados a cada cinco metros, e um oficial de alto escalão estava esperando especificamente por eles.
"Mestre Ainar Stellarion?" o oficial perguntou, curvando-se respeitosamente. "E o Time Master X? Sejam bem-vindos a Brasíbis. Tenho ordens de escoltá-los diretamente ao Castelo Real. Sua audiência com Sua Majestade está agendada para dentro de duas horas."
Ainar assentiu preguiçosamente. "Tempo suficiente para banho e roupa limpa? Viagem de trem sempre me deixa com cheiro de fuligem."
O oficial piscou, claramente não esperando esse tipo de resposta. "Eh... sim, Mestre. Aposentos foram preparados para vocês no Castelo."
"Ótimo. Lidere o caminho."
Eles foram transportados em carruagem privada pelas ruas de Brasíbis, subindo os níveis concêntricos da cidade. Leo, Luna e Bob estavam mudos, absorvendo tudo. As ruas eram pavimentadas com pedra lisa, não terra batida. Havia iluminação mágica em postes a cada esquina. As pessoas nas ruas usavam roupas que pareciam custar mais que tudo que Leo havia possuído em sua vida inteira. E havia guardas por toda parte, não guardas municipais relaxados, mas Guardas Reais em formações disciplinadas.
"Tentem não parecer completamente deslumbrados quando encontrarem o Rei," Ainar aconselhou casualmente. "Ele interpreta admiração como fraqueza. E não confiem em ninguém que conhecerem no Castelo. Absolutamente ninguém. Até o mordomo mais simpático pode ser espião de alguma facção."
"Você está incluído nesse absolutamente ninguém?" Luna perguntou com sua frieza característica.
Ainar riu. "Especialmente eu. Eu sou provavelmente a pessoa menos confiável que vocês conhecerão lá."
Eles chegaram ao Castelo, e mesmo Ainar teve que admitir que a arquitetura era impressionante. Guardas os escoltaram através de corredores de mármore decorados com tapeçarias que contavam histórias de batalhas antigas, passando por salões onde nobres conversavam em grupos fechados que silenciavam e observavam enquanto a delegação da Master X passava.
Os aposentos preparados para eles eram luxuosos de forma quase ofensiva. Quartos separados, cada um com cama de dossel, banheira de mármore, e janelas com vista para a cidade. Servos apareceram imediatamente oferecendo banho, roupas formais limpas e qualquer coisa que precisassem.
Uma hora e quarenta e cinco minutos depois, limpos e vestidos em uniformes formais da Master X que haviam sido especificamente enviados para esta ocasião, eles foram escoltados ao Salão do Conselho Real.
As portas duplas de carvalho maciço gravadas com o brasão real se abriram, e Leo sentiu o peso de olhares múltiplos caindo sobre eles.
O Salão do Conselho era circular, com a mesa oval de jacarandá negro no centro cercada por cadeiras ocupadas. Na cabeceira, em cadeira ligeiramente elevada, estava o Rei Thalien Bragallien Árvanyur.
Ele era mais frágil do que Leo esperava. A linhagem élfica era clara nos traços delicados e olhos verde-dourados, mas havia uma palidez doentia em sua pele e um tremor sutil em suas mãos que ele tentava esconder. A coroa de platina e esmeraldas parecia pesada demais para sua cabeça.
Ao redor da mesa estavam os oito conselheiros, cada um uma figura de poder e presença própria. Mas o olhar de Leo foi inevitavelmente capturado pela figura sentada à direita do Rei.
Princesa Seraphina Yllari Bragallien Árvanyur.
Ela era... Leo não tinha palavras. Beleza era inadequado. Ela era algo que artistas passariam vidas tentando capturar em tela e falhariam. Cabelos loiro-platinados com reflexos prateados arranjados em estilo elaborado mas não excessivo. Pele pálida perfeita. Vestido de seda azul-escura que combinava com algum pigmento nos olhos que os fazia parecer ainda mais violeta-profundos. E quando ela olhou para a delegação da Master X, Leo sentiu algo tocar sua mente.
Era sutil. Tão sutil que alguém sem treinamento jamais notaria. Uma pressão gentil, quase carinhosa, como dedos delicados tocando os pensamentos, procurando por aberturas, por vulnerabilidades, por pontos onde influência poderia ser plantada.
Magia mental. Encantamento. Manipulação.
E ao mesmo tempo, Leo sentiu sua nova resistência dos Enamorados ativar automaticamente. A pressão mental escorregou dele como água em superfície oleosa. Não completamente, ele ainda sentia o toque, mas não conseguia aderência.
Ao seu lado, Luna ofegou muito sutilmente. Bob ficou tenso. Eles haviam sentido também, mas não tinham a mesma resistência.
E então Ainar agiu.
Não houve demonstração dramática. Nenhum gesto ou palavra falada. Simplesmente, entre um batimento cardíaco e outro, uma barreira de mana pura e invisível envolveu os quatro membros da delegação Master X.
A pressão mental de Seraphina foi cortada instantaneamente, como faca batendo em escudo de aço.
Os olhos violeta da princesa se arregalaram uma fração de centímetro, genuína surpresa passando por seu rosto antes de ser mascarada com sorriso educado.
Ainar não olhou para ela. Seus olhos cinza-claros estavam fixos no Rei, e havia algo perigoso naquele olhar. Não desrespeito aberto, mas também absolutamente zero de submissão.
O oficial que os havia escoltado anunciou formalmente: "Vossa Majestade, senhores conselheiros. Mestre Ainar Stellarion da Guilda Master X, e seu time de aprendizes: Leonardo Veyndril, Luna Selvestra e Bob Caelun."
Houve uma pausa expectante. Era costume curvar-se ao Rei. Protocolo básico.
Luna e Bob, treinados em etiqueta básica pela Master X, começaram a se curvar.
Ainar não se moveu. Permaneceu completamente ereto, mãos relaxadas ao lado do corpo, olhando para o Rei como se estivesse olhando para um igual. Não com arrogância, mas com completa ausência de deferência automática.
E porque Ainar não se curvou, Leo decidiu em uma fração de segundo fazer o mesmo. Se seu Mestre não mostrava submissão automática, Leo não mostraria também.
Um murmúrio chocado percorreu os conselheiros. Isso era insulto deliberado. Ofensa à Coroa.
Mas Rei Thalien, surpreendentemente, sorriu levemente. Era um sorriso cansado, mas havia um lampejo de algo nele, talvez respeito por alguém que não fingia subordinação.
"Mestre Ainar," o Rei disse, sua voz mais fraca do que deveria ser mas ainda carregando autoridade. "Ouvi muitas histórias sobre você. Dizem que você é o mago mais poderoso da Master X depois do próprio Draven. E dizem que você não tem muito respeito por autoridades tradicional."
"Vossa Majestade me lisonjeia," Ainar respondeu, e seu tom era educado mas não servil. "Quanto a autoridade, eu respeito competência. Títulos são apenas palavras. Ações definem valor."
Outro murmúrio chocado. Isso estava beirando traição.
Mas Seraphina interveio, sua voz melodiosa e suave cortando a tensão.
"Que filosofia refrescante, Mestre Ainar. Tão raro encontrar honestidade tão pura na corte." Seus olhos violeta se fixaram nele, e Leo podia sentir outra onda de magia mental emanando dela, desta vez direcionada especificamente a Ainar. "Tenho certeza que sua competência é tão impressionante quanto sua... franqueza."
Ainar finalmente olhou para ela, e Leo viu algo interessante passar pelo rosto de seu Mestre. Reconhecimento. Ainar sabia exatamente o que Seraphina estava fazendo, e estava avaliando-a da mesma forma que ela o avaliava.
"Vossa Alteza," Ainar respondeu com a primeira reverência educada que ele havia feito desde entrar no salão. "Sua reputação não faz justiça. Dizem que a Princesa Seraphina é bela e inteligente. Mas não mencionaram que era também... habilidosa."
A última palavra carregava duplo significado. Habilidosa politicamente. Habilidosa magicamente.
Seraphina sorriu, e era o sorriso de alguém que acabara de encontrar oponente digno em jogo de xadrez.
"Lisonjeiro, Mestre. Mas estamos aqui para assuntos sérios, não para troca de elogios." Ela se virou para o Rei. "Pai, talvez devêssemos começar? Estou ansiosa para ouvir o relato sobre os eventos de UniCampos diretamente daqueles que estiveram lá."
Rei Thalien assentiu. "Concordo. Mestre Ainar, entendo que sua equipe de aprendizes participou da missão inicial que descobriu os Homúnculos. E que o senhor pessoalmente eliminou um deles. Gostaríamos de ouvir relato completo."
E assim começou o interrogatório.
Mas Seraphina não queria apenas informação. Leo podia sentir através de sua previsão melhorada. Cada pergunta que ela fazia, cada olhar que direcionava, estava medindo algo mais profundo.
Caráter. Lealdade. Controlabilidade.
Ela queria saber se Ainar Stellarion poderia ser comprado, persuadido ou precisaria ser eliminado.
E Ainar, Leo percebeu com um arrepio, estava fazendo exatamente a mesma avaliação da Princesa.
Dois predadores se reconhecendo através de máscaras de civilidade.
E no centro desse jogo mortal, o Time Master X precisava navegar sem se tornar peão sacrificável de nenhum dos dois lados.
