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Chapter 28 - CAPÍTULO 0.1 — O CONTINENTE QUE LEMBRA

CAPÍTULO 0.1 — O CONTINENTE QUE LEMBRA

O Continente Verde — Eldenfall — não era governado.

Ele era respeitado.

Enquanto impérios humanos se erguiam e caíam, Eldenfall permanecia. Suas florestas não cresciam para cima, mas para dentro do mundo, enraizadas em eras que precediam o próprio conceito de reinos.

Ali, a mana não era hostil.

Era antiga.

E não respondia a ordens. Respondia a memórias.

No coração do continente erguia-se o Reino Élfico de Lóthirëa, um domínio sem muralhas. As árvores eram palácios. As raízes, estradas. A luz filtrada pelas copas carregava ecos de canções que nenhum humano jamais compreendeu por completo.

Os elfos não viviam sob reis absolutos.

Viviam sob Círculos.

O mais alto deles, o Círculo de Raízes Eternas, reunia-se apenas quando o próprio continente sussurrava perigo.

E naquela noite… ele sussurrou.

— O mundo foi ferido — disse Aelthirion, o mais antigo dos druidas-elfos, tocando o tronco de uma árvore viva. — Algo caiu fora do curso natural.

As folhas estremeceram.

— Não foi morte — respondeu Silmaë, Guardiã das Fontes Verdes. — Foi deslocamento.

Um espelho de água clara refletiu um céu que não pertencia a Eldenfall.

Vermelho.

— Neth'Rak… — murmurou alguém.

O nome não era pronunciado havia séculos.

— O Abismo não recebe sem motivo — disse Thalanor, lâmina viva do reino. — Se algo sobrevive lá… então não é comum.

O Círculo silenciou.

Então, as raízes da Grande Árvore reagiram.

Não com pânico.

Com reconhecimento.

Uma runa natural surgiu na casca antiga, brilhando suavemente:

O Sol Partido.

Os elfos recuaram um passo.

— Um símbolo humano… — disse Silmaë. — Mas ferido.

— Não — corrigiu Aelthirion. — Exilado.

As florestas de Eldenfall se agitaram levemente, como se o continente respirasse fundo.

— O equilíbrio foi tocado — declarou o druida. — Um herdeiro sem trono caminha onde não deveria.

— E o que Eldenfall fará? — perguntou Thalanor.

Aelthirion fechou os olhos.

— Nada… ainda.

As árvores não avançariam contra o Abismo.

Mas também não se esconderiam.

— Quando o mundo esquece um nome — concluiu ele —, a floresta lembra.

E, em silêncio absoluto, o Continente Verde começou a observar.

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