Deixei Anna junto dos gêmeos e fui ajudar Cali, não precisava que a Anna me respondesse. A resposta era pra ela mesma afinal.
Me virei a tempo de ver o chefe dos goblins partir o cajado de falo com a espada, e abrir um talho do ombro até o meio do peito.
Inconscientemente ativei a habilidade [tiro triplo] outra vez e mandei as flechas no goblin distraído. Como sempre os instintos do chefe se mostraram excepcionais, ele defendeu dos três ataques, ainda que não completamente. Pelo menos ele se afastou de Cali, dando tempo para ela recuar e comer sua última frutinha vermelha.
Com a atenção do chefe voltada para mim outra vez, me preparei com meu arco para o último embate.
Eu tenho 5 flechas, sendo duas mais curtas e não muito boas contra o chefe, 1 faca de arremesso (que na verdade deveria ser usada pra limpar presas), 1 espada curta e o arco de madeira com pontas de ferro. Ele tinha uma espada que parecia um cutelo de carne, uma armadura mista de couro, ferro com alguns adornos de crânios.
Mas por baixo do equipamento, ele tinha vários ferimentos pelo corpo, principalmente a falta da orelha direta. Isso parecia nos dar uma certa vantagem se atacassemos mais do lado direito, onde ele estava sem a orelha e eu duvidava que seria fácil usar aque "espada" com um buraco, ainda sangrando, em uma das mãos.
'Mais um pouco, só mais um pouco.'
Pensei pegando outra flecha, estava prestes a usar o [tiro de plasma] pela última vez hoje quando percebi uma coisa estranha com o chefe dos goblins. Como posso descrever... era como se o ar, ao redor dele estivesse diferente. Mais feral, sem a inteligência que eu tinha visto antes, era quase igual...
'A como ele estava quando lutamos com ele já 2 meses.'
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POV Kaio
'Tsc, Tsc, Tsc, Tsc. Eles deveriam ter precisando quando pudiam ao invés de ir atrás dos soldados de elite.'
Não que eu pudesse culpa-los, a escolha entre derrotar o chefe primeiro e os soldados depois, ou os soldados primeiro e o chefe depois, sempre foi e sempre vai ser um tópico ambíguo quando se trata de lutas finais.
De um lado você da espaço pro chefe se curar e se fortalecer com buffs (algo que eu enfrentei bastante em jogos), do outro você tem múltiplas fontes de dano (mesmo que não necessariamente sério) de vários lugares que ainda podem curar e fortalecer o chefe até em um grau variado dependendo do tipo de soldado.
Ai vem a pergutna, melhor se livrar da pequena chateação antes de cuidar da grande ou da grande e depois o caminho fica livre pras menores?.
'É uma pergunta que não tem uma resposta definida, sempre mudando conforme a situação.'
[Contudo nesse caso você designou especificamente para o chefe goblin ser derrotado o aos rápido possível, tanto pela segunda fase quanto pela possibilidade dele virar um chefe de Raid.]
'Bommmmm, é.'
Por isso mesmo eu disse que eles fizeram a escolha errada, mas como eles não tem nem noção desse tipo de mecânica, simplesmente não tinha como culpar eles.
'Mas mesmo que nosso menino Connor soubesse eu diria que ele ainda teria se livrado dos lacaios primeiro antes de lutar com o Grumpy. Na verdade acho até que ele intencionalmente instigaria a segunda fase ele mesmo se soubesse os requisitos.'
[?. Explique por gentileza.]
'Não preciso, é só você considerar tudo que aconteceu com ele até agora e a personalidade dele. Acha que ele é do tipo que escolhe o caminho mais fácil ou o caminho completo quando dada essas opções?'
[.... De fato]
Apesar de Sys não ter uma forma física ou mesmo visível além da tabela de notificações eu pude sentir ele olhar com atenção para o Connor, e para o olhar que ele estava dando para o Grumpy sem consciência.
Um olhar de pura determinação férrea.
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POV Connor
'Bom, que bom que ele ficou assim. Se ele não estivesse assim, não seria a mesma coisa, ainda lutariamos e eu concerteza venceria de algum jeito mas ele assim, nesse estado. É perfeito.'
Do mesmo jeito que ele estava quando o capitão morreu, quando dezenas foram mortos sem piedade, quando meu mestre se feriu me protegendo. Tudo isso ele fez quando estava nesse estado, então enfrentar ele nesse estado era o certo a se fazer.
Um jeito de dizer que mesmo nesse estado eu posso vencer oque não podia antes. Só tenho 5 flechas e uma espada curta. Ele com uma espada "longa" e uma armadura levemente desgastada, com um buraco aberto na mão, sem uma orelha, um ferimento "leve" na coxa e mais alguns ao longo do corpo.
Mas naquele estado feral, duvido que algum desses ferimentos o incomode, igual há um urso com flechas ou pontas de lança cravadas na carne. Pelo menos foi essa a impressão que eu tive quando vi ele nesse estado meses atrás.
A vantem dele era o fato de não se importar com ferimentos, era que a força também parecia ser aumentada, junto com um pouco de velocidade. Mas esse também era o ponto fraco, ele podia ignorar os ferimentos mas eles continuariam lá.
Minha vantagem não era só ele ficar mais descuidado, era o fato dele agora estar sozinho, nem os goblins comuns estavam aparecendo mais, enquanto eu ainda tinha aliados comigo.
Pegando as duas flechas menores eu as atirei juntas em direção ao chefe dos goblins. Dessa vez ele não tentou desviar, uma se cravou no ombro e a outra que tinha ido para a cabeça foi pega com a boca, mas a ponta ainda abriu um ferimento nela que ele ignorou.
Ele se virou para mim, e no instante seguinte a espada já estava acima da minha cabeça, sem poder desviar eu usei a ponta do ferro do meu arco para aparar o golpe. Claro que foi uma péssima ideia.
O golpe continuou, mas mas pela minha pose de tiro e o jeito que usei o arco para aparar o golpe, a força dele acabou me forçando um pouco para a direita, desviando de um golpe mortal mas ainda abrindo um talho da minha clavícula até a base das costelas. Com o golpe tendo me afastado tentei jogar uma das facas no goblin, mas ele desviou de um golpe direto, fazendo com que uma errasse completamente e a outra ficasse presa na outra mão.
Ele balançou a mão para tirar ela de lá e logo continuou com ataque com uma investida que eu já tinha previsto, desviando para o lado, peguei outra flecha mas não coloquei ela no arco.
Ao invés disso, girei meu corpo uma segunda vez escapando de outro corte de cima para baixo e dei um corte próprio com a ponta do arco no alto da coxa do goblin, foi ainda menos que um arranhão. Mas isso ainda garantiu que ele sendondenteadse em mim e não na Cali.
Pulando para trás ao mesmo tempo que puxava o arco, mandei outra flecha em direção a cabeça dele, ele usou a mão que a faca tinha ficado presa para de proteger enquanto vinha na minha direção. A flecha atravessou o braço e quase chegou no olho mas outra vez ele não se importou, segurando a "espada" com apenas uma mão ele deu um corte de baixo para cima enquanto estavamos "no ar".
Sem ter como desviar ou me proteger propriamente, o golpe me acertaria em cheio e seria meu fim. Se eu estivesse sozinho.
Pouco antes da espada chegar em mim, em milissegundos, nos dois ouvimos um *boom* e o braço que o goblin segurava a espada foi "empurrada" para dentro afastando a espada do meu tronco. Porém abrindo um corte no braço, não muito fundo, mas ainda doloroso para um arqueiro.
Caindo de costas dei um rolamento para trás bem a tempo de escapar de um punho que literalmente abriu uma pequena cratera no chão. Se ele pudesse, o chefe certamente eajda viria atrás de mim, mas felizmente a Cali já tinha planos para ele.
Aparecendo no vão entre a espada e o chão, ela deu um chute giratório com a "peito do pé" nas costas do goblin o mandando de cara para o chão, ele deu uma cambalhota meio mau feita (acho até que foi uma tentativa de dar um chute na Cali) jogando o braço quebrado ainda segurando a espada para trás tentado acerta-la.
Recuando logo após o chute, o "espigão" na "ponta" do cutelo conseguiu fazer um pequeno corte no braço mais a frente da Cali, mas tão pequeno quanto o arranhão que meu arco fez na coxa dele. Tendo recuado ela logo se posicionou para lançar outro punho de ar.
Mas o goblin mesmo estando em um estado feral ainda sentiu o perigo do golpe e desviou do golpe que abriu outra pequena cratera, um pouco afastado de mim e da Cali o goblin finalmente tirou a flecha no braço dele com os dentes e guspiu na direção da cabana de pedra.
O estado dele agora estava bem pior que antes, com um braço quebrado com um furo na mão e outro no ombro. O outro braço tambem com dois furos sendo um também na mão e outro no antebraço, 2 arranhões que mesmo não sendo letais ou debilitantes seriam certamente irritantes nas coxas e sem uma orelha ele exibia um ar feral cada vez mais forte.
Talvez fosse impresso minha mas as unhas pareceram crescer assim como os dentes pontiagudos enquanto ele rosnava para nos. Mas uma coisa que concerteza não era impresso minha era o fato do sangue dele estar em parte se movendo ao longo do corpo e formas algum tipo de escrita nos braços e no rosto dele.
Eram espirais com algumas ondas que pareciam a seguir algum tipo de fluxo. Eu não lembro de ter visto isso da última vez mas senti que não era coisa boa. Minhas reservas de Aether já estavam quase zeradas mais ainda tinha o suficiente (eu acredito) para mais duas habilidades.
Sacando o mais rápido que consegui das minhas 2 últimas flechas ativei tiro certeiro e atirei no olho do goblin. Ele não desviei, ou defendeu, invés disso ele rugiu.
*UUUUUURRRRROOOOOORRRRROOOOOOUUUUUUU*
Um rugido tão alto e forte que o ar se moveu ao redor e minha flecha pareceu bater em uma parede que a ricocheteou a fazendo cair pouco mais de 3 metros do goblin. Na mesma hora o impacto físico do rugido atingiu a mim e a Cali.
O impacto me fez quase voar outra vez, mas consegui me firmar ainda que eu tinha sido empurrado quase 2 metros de onde eu estava, assim como a Cali. Os símbolos de sangue no corpo do goblin pareceram brilhar levemente e o braço quebrado começou a se reformar sozinho. E os ferimentos das minhas flechas, pareceram que estavam se fechando.
Não precisa ser gênio para entender oque estava acontecendo, mas o como seria uma boa perguta, só não para agora. Pegando minha espada com a mão esquerda corri em direção do chefe goblin com a Cali do meu lado.
