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Renascido no Egito antigo (PT-BR)

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Synopsis
No horizonte de ouro do Egito, o Faraó não é apenas um rei; ele é o Ma'at personificado, o eixo sobre o qual o universo gira. Seu poder não emana apenas do exército de bronze ou do ouro das minas de Cuxe, mas de uma linhagem que comanda o próprio Nilo. Ele é um deus-vivo cujo olhar pode erguer cidades e cujo silêncio pode apagar civilizações inteiras do mapa. Para ele, os escravos são menos que poeira — são apenas o combustível descartável para sua imortalidade monumental. Mas o destino cometeu um erro de cálculo. Nas sombras das pedreiras de Turah, sob o chicote e a opressão, despertou uma mente que não deveria existir. Reencarnado em um corpo de escravo hebreu, anêmico e quebrado, habita agora um Gênio Absurdo vindo de uma era de ciência e lógica pura. Onde os sacerdotes veem magia, ele vê termodinâmica. Onde os arquitetos veem deuses, ele vê geometria e física. Sua inteligência não é apenas conhecimento — é uma arma de precisão cirúrgica. Ele não luta com fúria; ele luta com probabilidades. Enquanto seus músculos falham pela perda de sangue, seus neurônios disparam em velocidades sobre-humanas, manipulando a Telecinésia e a Pirocinésia através de fórmulas que o mundo ainda levará milênios para descobrir. O Faraó acredita que governa o destino. Ele ainda não sabe que, nos estratos mais baixos de seu império, um homem pálido está redesenhando as leis da realidade. O deus-rei governa os homens. O gênio governa as leis que criaram os deuses.
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Chapter 1 - O erro do sistema

O deserto não perdoava erros, e o Egito era um mestre cruel. Naquelas vastas extensões de poeira e pedra, a vida de um escravo valia menos que um jarro de água derramado. No centro da pedreira de Turah, o ar estava espesso com o cheiro de suor, pó de calcário e algo muito mais metálico: sangue.

Ele acordou com o gosto de ferro na boca.

A transição não foi suave. Não houve túnel de luz ou vozes angelicais. Foi como ser arremessado de um arranha-céu diretamente para um forno de olaria. A consciência dele — uma mente que um dia dominou cálculos quânticos e estratégias que derrubaram impérios corporativos — agora lutava para processar impulsos nervosos de um sistema nervoso em colapso.

Análise de danos iniciada... — o pensamento surgiu, automático, frio, desprovido de emoção humana.

Volume sanguíneo: Crítico. Pressão arterial: 70/40. Oxigenação periférica: Nula.

Ele tentou abrir os olhos. A pálpebra direita estava colada por sangue seco. A esquerda revelou um mundo banhado em um amarelo insuportável. O sol de Amon-Rá não era uma divindade; era um motor de fusão nuclear que estava fritando sua pele pálida.

— Olhem para ele! Ele ainda tenta piscar! — Uma voz carregada de escárnio vibrou acima dele.

Era Khensu. O guarda-chefe daquela ala. Um homem cuja crueldade era limitada apenas por sua ignorância. Ele segurava um chicote de couro de hipopótamo, cujas pontas estavam tingidas de um vermelho escuro, quase negro.

A memória do corpo anterior fluiu como um veneno. O jovem hebreu que ele agora habitava não era um adúltero. Ele era apenas um alvo fácil. Khensu precisava de um bode expiatório para o desaparecimento de joias da sua casa — joias que ele mesmo havia vendido para pagar dívidas de jogo. Acusar o escravo branco, o "estrangeiro de olhos claros", de desonrar sua esposa foi a jogada perfeita. No Egito, ninguém questionaria a palavra de um oficial contra a de um hebreu.

O espancamento durou horas. O dono anterior do corpo havia morrido de dor e choque hipovolêmico minutos antes da consciência "dele" assumir o comando.

— Você é uma mancha na areia, escravo — rosnou Khensu, chutando as costelas expostas do protagonista. O som do osso estalando foi abafado pelos gritos dos outros escravos que eram forçados a assistir. — Diziam que você era especial. Que sua pele branca era um sinal dos deuses do norte. Se for verdade, onde eles estão agora?

Khensu estava embriagado pelo poder e pelo calor. Ele se virou para a plateia de centenas de homens quebrados, erguendo o chicote como se fosse um cetro.

— Escutem bem! — gritou ele, sua voz ecoando contra os imensos blocos de calcário destinados às pirâmides. — Este lixo está morto. Ele não verá a lua nascer. Eu juro pelo Ka de Faraó e pelas águas sagradas do Nilo: Se este verme conseguir se levantar e caminhar por conta própria, eu mesmo me castrarei diante de todos vocês e oferecerei meu sangue ao deserto! Porque só um deus poderia devolver a vida a esse pedaço de carne podre!

Um murmúrio de terror percorreu os escravos. No Egito, um juramento desse calibre era um contrato com o submundo. Khensu não estava apenas blefando; ele estava selando sua própria existência na crença absoluta de que o protagonista era um cadáver.

Erro de cálculo, Khensu, pensou o protagonista.

Ele não sentia ódio. O ódio era uma emoção ineficiente que consumia oxigênio. Em vez disso, ele usou sua Inteligência Absurda para fazer o que nenhum ser humano normal faria. Ele acessou os centros nervosos de seu cérebro que normalmente eram inacessíveis.

Ele visualizou sua própria medula óssea. Ele "viu" as plaquetas.

Ativar: Pirocinésia celular.

Não houve fogo externo. Ele induziu uma micro-fricção molecular no nível das células. O calor cauterizou internamente os vasos rompidos. Foi uma dor pior do que o chicote — a dor de ser cozido por dentro —, mas ele não gritou. Ele precisava do sangue dentro das veias, não na areia.

Ativar: Telecinésia estrutural.

Seus músculos estavam desfeitos, mas seus ossos ainda eram alavancas biológicas. Ele usou a telecinésia para criar "cabos invisíveis" ao redor de seus fêmures e coluna. Ele não estava se levantando com força muscular; ele estava se movendo como uma marionete manipulada por sua própria mente.

O silêncio na pedreira era tão denso que podia ser cortado com uma faca. Khensu já se preparava para ordenar que jogassem o corpo nos fossos de lixo.

Então, um dedo se moveu. Depois, um pulso.

Com um som de sucção, o corpo do protagonista se descolou da poeira ensanguentada. Ele subiu de forma irregular, como se estivesse sendo puxado por fios do céu. A pele branca, agora manchada de terra e vermelho, parecia mármore rachado.

Quando ele finalmente ficou de pé, ereto, sua altura superava a de Khensu por alguns centímetros. Ele não cambaleava. Ele era uma estátua de dor e vontade.

O protagonista abriu o olho esquerdo. A íris, antes de um azul comum, agora brilhava com uma intensidade cobalto, alimentada pelo despertar de seu poder psíquico.

Khensu recuou, deixando o chicote cair na poeira. O terror em seu rosto era algo que os escravos nunca esqueceriam.

— O juramento foi feito — a voz do protagonista saiu baixa, mas cada sílaba vibrou nos ossos de todos os presentes. Não era a voz de um escravo. Era a voz de alguém que já havia comandado o destino de milhões. — Os deuses estão ouvindo, guarda. Onde está sua faca?

O protogonista permanecia cercado pelo silêncio sepulcral do deserto, enquanto a areia ao redor de seus pés começa a girar em um pequeno vórtice, derretendo-se em vidro pelo calor residual de sua fúria controlada.