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Chapter 18 - Condense Your Truth

Após a conversa com o jovem Tian Ming, Bai Lan decidiu deixar a celebração em homenagem ao ancestral Tian, ​​mas tudo ficou claro depois disso. Aquela suposta celebração não passava de uma fachada para reunir todos os apoiadores da Casa Tian. A Região Sul logo mudaria, e a mudança mais drástica seria a queda do império e a morte da Família Imperial.

As mãos de Bai Lan tremiam. Mesmo tendo já contado toda a história ao pai, ela ainda estava apreensiva.

Bai Tianheng era quem estava verdadeiramente enfurecido — seus olhos se arregalaram ligeiramente, seus punhos se fecharam e um sentimento de angústia e ódio consumia seu ser. Embora o medo o dominasse ao ouvir o nome da Região Norte, apoiar tal causa ainda lhe parecia absurdo.

"Droga! Por quê? Por quê? Por que esses desgraçados estão vindo para cá agora? Não somos a Região Bárbara? Que diabos essas pessoas amaldiçoadas viram aqui?!"

"Será que a Corte Imperial nos condenará se apoiarmos a Família Tian?", perguntou Bai Lan.

Seu pai ficou visivelmente abalado com a notícia, suspirando frequentemente em sinal de derrota.

"Não sei… para ser honesto, se a Família Imperial estiver com uma lâmina na garganta, não poderá se preocupar com isso — a menos que seu objetivo seja fugir… mas para onde? Atravessar a Floresta do Norte seria extremamente perigoso. Além das poderosas Bestas Demoníacas, poderíamos ser descobertos pelas Seitas Imortais da Região Norte. Quanto a embarcar a população em navios rumo às Ilhas Ocidentais… isso está fora de questão. Não há navios para isso, e a distância é tão vasta que inúmeros plebeus morreriam no caminho. Levaria meses para chegar e, além disso, aquela terra pertence ao Povo Lingmu — os descendentes da Árvore do Mundo", respondeu o Governador.

Bai Lan mergulhou em profunda reflexão, e então uma ideia surgiu. "E se fôssemos para as Terras Congeladas mais ao norte? Não há registros de civilizações por lá, nós poderíamos—"

De repente, o pai dela a interrompeu.

"Não! Aquele lugar é estranho. Há uma enorme concentração de Yin Qi. É impossível para pessoas comuns viverem naquelas terras… minha querida filha, não há mais lugar para nós aqui. Ou somos reduzidos à servidão, ou fugimos para outro continente… e isso é impossível. Mesmo os cultivadores da Formação do Núcleo são incapazes de atravessar o oceano."

Uma aura deprimente tomou conta do salão. Pai e filha estavam absortos em pensamentos, considerando inúmeras possibilidades — mas todas levavam ao mesmo resultado: servidão.

Em uma colina dentro dos jardins da mansão, podia-se ver a silhueta de um jovem inspirando e expirando repetidamente. Algo dentro dele estava mudando lentamente — sua energia interna, seu sangue, seus ossos e seus órgãos estavam sendo refinados a um nível mais profundo.

Este era Feng Qi, agora conhecido por seu verdadeiro nome. O que o jovem estava fazendo era preparação para alcançar a Quinta Camada.

Após aproximadamente o tempo necessário para a queima de dois incensos, tudo terminou. Feng Qi finalmente alcançou o Quinto Nível de Refinamento Corporal .

Ele exalou suavemente. "Minha força está aumentando, mas as forças inimigas são muito poderosas para que meu avanço consiga diminuir a distância."

Encostado em uma árvore atrás dele, alguém observava o jovem com uma expressão séria, analisando cuidadosamente cada movimento. Era Luo Zixuan. Agora, aquele jovem não confiava mais em Feng Qi.

"Você também deveria cultivar suas habilidades em vez de ficar aí parada me observando. Acha que eu faria algo com sua jovem senhorita?", perguntou Feng Qi.

"Enquanto você trabalhar para a Mansão Bai, deve tratá-la como Senhorita . É uma demonstração de respeito que todos na casa lhe devem." Luo Zixuan falou seriamente. Ele realmente não confiava em Feng Qi — esse incidente havia destruído a pouca confiança que ainda tinha.

De repente, o jovem Feng caiu na gargalhada. "Você sabe que eu só vou ficar aqui por um ano, né? Não precisa ficar tão alarmado comigo se eu não pretendo ficar por muito tempo."

"Mas você ainda representa uma ameaça para a jovem senhorita."

"Não seja assim. Fui contratado pela Família Bai e cumprirei meu dever adequadamente. Aliás, sou grato a Bai Lan por toda a ajuda que me deu — devo retribuir de todas as formas possíveis." De repente, o jovem se levantou e encarou o guardião. "É o mínimo que posso fazer, não acha?"

Luo Zixuan ficou pensativo. Várias ideias passaram por sua mente e, após um leve suspiro, aproximou-se de Feng Qi.

"Sinceramente, não consigo te entender. Por que você quer tanto sair da cidade? Qual é o seu objetivo na vida?"

Ambos ficavam no topo de uma colina dentro dos terrenos da família Bai. De lá, era possível ver toda a extensão de Qingyao de uma ponta à outra. A cidade abrigava quase doze milhões de pessoas, mas mesmo assim, era pequena em comparação com a capital imperial, que tinha centenas de milhões de habitantes.

Olhando em direção ao horizonte, era possível avistar os contornos tênues de montanhas distantes.

"Você vê isso? O mundo é um lugar incrível. Não pretendo ficar preso aqui para sempre. Sabe, descobri recentemente o quão vasto é o nosso continente — quantos reinos, impérios e regiões são governados por seitas imortais… só de imaginar tudo isso contido em um único continente, meu coração ferve. É uma sensação estranha, difícil de explicar, mas de alguma forma me atrai."

Luo Zixuan olhou para ele, depois voltou o olhar para o horizonte. O sol estava se pondo e a imagem da cidade estava banhada em tons de vermelho-alaranjado. Nuvens imensas preenchiam o céu, engolindo lentamente o azul acima, até que o sol desceu e desapareceu atrás dos picos.

"Eu quero ser imortal, Guardião Zixuan. Eu quero viver para sempre!"

Luo Zixuan ficou abalado por aquela estranha sensação. Era como se tivesse sido enfeitiçado pelas palavras de Feng Qi. Uma aura incomum pairava no ar, e o coração de Zixuan palpitava enquanto contemplava o horizonte deslumbrante, com uma brisa suave e fresca acariciando-o, fazendo o jovem da Família Luo repensar sua vida.

Ele questionou o futuro de Feng Qi, apenas para perceber que ele próprio ainda era pequeno demais para realmente enxergar o mundo. Uma certa tristeza o invadiu ao perceber que seu próprio futuro estava ligado à Família Bai. Ele jamais ousaria abandoná-los — a Família Luo não seria nada sem a Família Bai, e sua profunda gratidão jamais teria fim.

Após algumas respirações tranquilas, Zixuan olhou para o jovem ao seu lado e notou que seus olhos brilhavam enquanto ele fitava o horizonte. Naquele instante, ele percebeu: aquele jovem chamado Feng Qi estava livre .

"Vou percorrer cada canto deste mundo. Vou absorver todos os seus segredos, toda a sua história, tudo. Estou apaixonada, Zixuan… apaixonada pelo mundo, pela vida. Nunca senti nada tão forte, tão intenso. Meu peito arde todos os dias, e muitas vezes sinto como se algo estivesse me chamando — meu Destino!"

Luo Zixuan ficou estupefato. Estranhamente, ele também foi invadido por aquela aura e sentiu um desejo de deixar Qingyao e explorar o mundo. Pela primeira vez, ele experimentou a Liberdade Platônica .

Muitos pensamentos inundaram sua mente — frustração, decepção, tristeza — mas assim era a vida. Ele jamais abandonaria seu dever... ou, pelo menos, tentaria não o fazer.

De repente, o jovem Zixuan sorriu e colocou a mão direita no ombro de Feng Qi.

"Agradeço por me abrir os olhos, mas infelizmente, devo cumprir meu dever. Quanto a você, você é livre. Não a liberdade que normalmente definimos, mas uma liberdade onde sua mente está livre, não afetada por restrições morais. Siga seu caminho, Feng Qi, Despertador do Vento . Sua estadia de um ano passará muito depressa."

"Obrigado…" Feng Qi ficou profundamente comovido com essas palavras. Elas fortaleceram seu Caminho — seu Destino.

O coração de Feng Qi ardia de paixão. Um ano não era nada. Em breve, ele retornaria à ação e seguiria para onde o Destino o chamasse.

No céu — além do Sol e da Lua — existiam imensas ilhas flutuantes. Algumas tinham quase dez mil milhas de diâmetro, outras ultrapassavam cem mil milhas, e todas estavam envoltas por barreiras cristalinas, assemelhando-se a uma vasta formação.

Naquela região de ilhas flutuantes, na maior delas — com aproximadamente cento e quinze mil milhas de diâmetro — um enorme templo erguia-se como uma torre em seu centro, cercado por uma cidade gigantesca que fazia Qingyao e Chenyang parecerem insignificantes, abrigando facilmente bilhões de pessoas. Nas extremidades, densas florestas estendiam-se infinitamente, repletas de formas de vida raras e ervas espirituais.

No topo do templo colossal, dentro de uma pequena câmara, uma existência insondável flutuava em posição de lótus. Seus olhos estavam abertos, brilhando com autoridade e poder absolutos.

"O quê…? Sinto algo novo fluindo por este mundo. Eu sei o que é…"

Subitamente, a existência interrompeu seu cultivo. Com um único passo suave do centro do templo, alcançou a borda da Grande Ilha e contemplou o horizonte com uma expressão solene. O sol se punha, tingindo tudo em tons vermelho-alaranjados, enquanto o mar de nuvens abaixo assemelhava-se a um tapete escarlate, obscurecendo completamente o mundo lá embaixo.

"Os outros Reis Espirituais também conseguem sentir isso… então isso não é um chamado — é o nascimento de um novo Dao!"

Os olhos dessa existência poderiam escanear centenas de milhares de quilômetros com precisão e, com as técnicas adequadas, ainda mais longe.

Essa observadora perspicaz era uma mulher belíssima, e em seus olhos residia uma expressão gentil.

De volta a Qingyao, Feng Qi recusou-se a retornar e optou por continuar cultivando.

"Tem certeza? A jovem senhorita mais velha retornou de sua viagem esta tarde. Amanhã de manhã, você deve prestar-lhe suas homenagens — e usar as boas maneiras que praticou", disse Luo Zixuan. Seu olhar estava distante, como se refletisse sobre sua vida desde que aquela estranha aura o tocou. Ele não conseguia parar de pensar naquela tal liberdade.

"Certo. Estarei lá antes do galo cantar", respondeu Feng Qi.

Assim, ele permaneceu sozinho — sem cultivar nem praticar artes marciais. O jovem Feng simplesmente contemplava a bela noite. Lá embaixo, Qingyao nunca dormia. Luzes de lanternas e cristais espirituais luminosos iluminavam todas as direções, assemelhando-se a um mar de luzes.

Essa sensação — observar o mundo em movimento, a vida de inúmeros seres, a história de cada um — fez Feng Qi sentir que um segredo permeava o mundo. Era sutil, mas estava lá. Ele se sentiu tocar aquela parede muitas vezes, mas sempre que se aproximava, a tal "parede" se distanciava, dificultando a compreensão.

Feng Qi não sabia exatamente o que era, mas sem dúvida era um dos muitos segredos do mundo. Recentemente, enquanto lia livros na biblioteca, ele descobriu a existência de uma força sobrenatural conhecida como Lei .

A lei é uma regra fundamental do mundo — um princípio que governa seu funcionamento. Não são feitiços, mas fragmentos dessa mesma operação.

"Se Qi é energia, e as Técnicas são a maneira de usar o Qi, então a Lei é a regra que define o efeito. Se a Vida é energia, e a Consciência é a maneira de usar a vida, então o Espírito é o reflexo da Verdade do mundo."

Assim, contemplando o mar de luzes, observando os mínimos detalhes, as vidas ansiosas em busca de seus objetivos, Feng Qi mergulhou em profunda reflexão. Tudo isso fortaleceu sua própria Verdade: ser livre.

Uma brisa fresca roçava seu corpo com frequência. Sentado no alto da colina, ele podia observar os movimentos apressados ​​dentro da Mansão Bai, ouvir o chilrear dos insetos, o farfalhar das folhas e o aroma da vegetação.

"É realmente um mundo incrível… A vida é algo tão maravilhoso. É uma honra estar aqui, testemunhando isso, existindo."

Então o jovem fechou os olhos e permaneceu ali — não cultivando, não praticando — mas repousando a mente e a alma. Ele estava — vivendo.

Na manhã seguinte, antes do galo cantar, o jovem Feng chegou conforme prometido. Lá estava sua jovem senhorita ao lado de Luo Zixuan. Ambos estavam na sala de chá, e diante deles estava sentada uma bela mulher.

Quando Feng Qi cruzou a soleira da sala de chá, a atmosfera já estava impregnada de uma serenidade contida. Na mesa principal, Bai Lan estava sentada com postura impecável, enquanto do outro lado estava sua irmã mais velha.

Feng Qi ficou momentaneamente atônito com a beleza dela. Para ele, ela era ainda mais bela que Bai Lan — perigosamente bela. Seu coração poderia não suportar tamanha beleza, e suas promessas poderiam perder o sentido. Mas, é claro, ele se recompôs rapidamente e agiu com naturalidade.

A bela mulher segurava delicadamente a xícara de chá, os longos dedos pálidos acariciando a fina porcelana como se fizessem parte do próprio ritual. Um vapor suave subia lentamente, refletindo-se em seus olhos serenos, que pareciam conter uma profundidade tranquila. Sua beleza não era vulgar nem ostentosa, mas refinada — uma graça discreta que se afirmava sem esforço, como uma flor rara que não precisava de competição para ser notada.

Atrás dela, um guarda-costas permanecia imóvel, discreto, porém firme, percebendo atentamente cada flutuação de Qi ao redor. A sala, preenchida com a leve fragrância do chá espiritual e o crepitar distante do incenso, parecia momentaneamente suspensa no tempo.

Quando Feng Qi se aproximou, seguiu-se um breve silêncio — não por desconforto, mas porque a atmosfera exigia respeito. Ela ergueu levemente a xícara, tomou um pequeno gole e só então levantou o olhar, sua expressão serena contrastando com a sutil autoridade que emanava naturalmente de alguém nascida no coração do poder de Qingyao.

Naquele momento, ficou claro: aquela não era apenas a irmã de Bai Lan, nem simplesmente a filha de um governador. Ela era uma existência que moldava o ambiente ao seu redor, mesmo em silêncio.

Feng Qi conseguia perceber isso — e essa mulher era muito mais poderosa do que o próprio governador.

"Condensação de Qi… e em alto nível!" pensou Feng Qi.

Percebendo o olhar intenso do guarda, a bela mulher falou.

"Olá. Você deve ser novo por aqui. Meu nome é Bai Lanyue, irmã mais velha de Bai Lan. Ela me falou sobre você."

O sorriso dela era tentador. Feng Qi sentiu-se intimidado por aqueles lábios, mas não cederia à tentação.

Ele endireitou a postura e falou com firmeza: "Meu nome é Feng Qi. Por favor, perdoe minha falta de educação — ainda estou me acostumando com isso." Ele fez uma leve reverência em sinal de respeito.

Os lábios de Bai Lanyue se curvaram num sorriso quase imperceptível. "Está tudo bem. Eu já entendi parte do que aconteceu com você. Por favor, não se preocupe."

Feng Qi não entendia por que estava reagindo daquela maneira. Seu coração estava acelerado — era uma sensação estranha, como se algo estivesse errado. Seu corpo reagiu de forma anormal, um calor se espalhando por seus membros, e só então ele conseguiu resistir àquele encanto.

"Essa mulher…" De repente, o jovem Feng pressentiu algo estranho. Ele havia lido em livros que existiam, em todo o mundo, Técnicas de Sedução — métodos que permitiam às mulheres conquistar o coração dos homens com o menor gesto, chegando até mesmo a usar o perfume para controlá-los.

"Será possível?", perguntou-se ele.

Ela olhou para ele sorrindo, mas algo lhe dizia que por trás daquele sorriso havia uma máscara. Feng Qi permaneceu em guarda contra aquela mulher — ele não sabia quem ela realmente era, nem se podia confiar nela. Seu retorno a Qingyao, após anos na Capital Imperial, só podia significar uma coisa.

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